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domingo, 24 de agosto de 2025

Viagens ao mundo imaterial

A madrugada tinha a cor do silêncio e o peso da insônia. O relógio digital na cabeceira mostrava as 4:00, os números verdes fantasmagóricos na escuridão. Deitada, eu repetia como um mantra, uma âncora para a consciência que ameaçava se esvair: "Eu estou lúcida e consciente, eu estou lúcida e consciente." O próprio quarto parecia conspirar para me engolir no sono, mas uma estranha vibração começou a percorrer meu corpo, como um formigamento sutil que se intensificava senti que estava saindo corpo. Então, a sensação inconfundível: uma leveza, como se fios invisíveis que me prendiam à carne estivessem se rompendo um a um. O som do meu próprio coração parecia distante, abafado, enquanto um novo tipo de percepção se abria. Não era o despertar físico, mas algo além uma projeção.
Olhei para minhas mãos na escuridão. Não as via nitidamente, mas sentia sua presença etérea pairando acima do meu corpo adormecido. Uma pergunta ecoou na minha mente, carregada de uma ponta de dúvida: "Será que eu estou dormindo ou estou projetada, apenas sonhando?" Movi os dedos, e a sensação era real, embora diferente, menos densa. Senti meus pés, a vaga silhueta dos meus olhos na ausência de luz. E então, a certeza cristalina: eu estava lúcida.

Com uma decisão silenciosa, levantei-me. Não o movimento pesado e arrastado do corpo físico, mas um deslizar suave, sem atrito. Atravessei a porta do quarto como se ela não fosse um obstáculo sólido, e de repente, estava na rua. A noite ainda era escura, mas meus sentidos pareciam aguçados de uma maneira nova.
"Onde eu quero ir?", pensei, e a imagem de Daniel surgiu em minha mente, nítida. Senti uma atração, um desejo de ir até ele. Mas então, uma voz interior, calma e firme, me fez hesitar. Parei, como se tivesse encontrado uma barreira invisível.
Então falei:"Queridos mentores," murmurei no silêncio da noite astral, "onde eu posso ser útil? Quero ir a um lugar onde posso ajudar."
No instante seguinte, o cenário ao meu redor se dissolveu, e fui como que impulsionada, ou talvez tele transportada, para um novo lugar. A princípio, a estrutura me lembrou um hospital, com seus longos corredores e um ar de quietude. Mas à medida que avançava, a atmosfera mudou. Vi pequenos sapatos alinhados em um canto, desenhos infantis rabiscados em um mural desbotado. A percepção me atingiu com clareza: era um orfanato. Crianças viviam ali.
Encontrei uma moça que parecia trabalhar ali. Seu olhar era acolhedor, e suas palavras, carregadas de uma gentileza genuína, ressoaram em mim. Ela me disse, com um sorriso doce, que eu poderia ajudar a cuidar das crianças. Senti um calor no peito, um propósito.
Passei um tempo ali, observando as crianças. Entrei em um corredor longo, onde portas se alinhavam em ambos os lados, cada uma presumivelmente levando a um quarto. Fui até o último quarto. Havia alguns beliches, e o ambiente era surpreendentemente tranquilo, apesar de ser compartilhado. As paredes eram de um tom claro, mas as marcas do tempo eram visíveis,talvez seja porque no mundo imaterial as coisas sejam diferentes, denunciando que nada ali era novo.

Eu fui pro lado de fora. O dia agora raiava, banhando o local com uma luz suave. Uma criança negra, com cabelos encaracolados com cabelos de negro aproximou-se de mim. Ela parecia gostar da minha presença, seguindo meus passos com curiosidade. Eu lhe disse, com carinho, para voltar para dentro, pois precisava "ver alguém".
Naquele momento, a menina olhou profundamente em meus olhos. Não era um olhar infantil comum; havia ali uma intensidade, uma sabedoria ancestral. Fui invadida por uma sensação estranha, quase um reconhecimento. A fugaz impressão de que aquela criança poderia ter sido eu em outra realidade, não a Claudiana de agora, mas alguma fração da energia que compunha minhas células, atravessou minha mente como um raio. A conexão era sutil, enigmática, mas profundamente perturbadora.

Então, o dia pareceu vacilar, e mais uma vez, minha mente se desviou. O rosto de Daniel surgiu novamente em meus pensamentos, sobrepondo a imagem da criança. "Quero ir onde o Daniel está", declarei, e comecei a sentir a familiar sensação de ascensão, como se meu corpo astral se desprendesse da terra. Comecei a voar, mas uma força sutil, uma advertência silenciosa, me fez parar. Eu pensei : Não é importante ir, ou talvez, não fosse o momento certo. Aquele desejo parecia agora superficial, quase um desvio de um propósito maior que eu havia sentido no orfanato. Com uma decisão firme, desejei acordar. A experiência, apesar das pontas de mistério e daquele olhar profundo, havia sido boa, maravilhosa e tranquila.

Abri os olhos no meu quarto, a escuridão da madrugada ainda pairando. Virei para o lado e adormeci novamente. Mas a paz foi breve. Quase que instantaneamente, percebi que estava novamente em projeção consciente. A primeira experiência não havia durado mais de dez minutos; o véu da noite ainda cobria o mundo.

A escuridão do quarto ainda era a mesma, mas a quietude parecia ter se aprofundado. Virei para o lado, o corpo físico encontrando o conforto do colchão. Eu tinha a sensação de ter voltado para casa, mas não por muito tempo. Mal fechei os olhos, e a familiar vibração começou novamente, mais forte e imediata do que antes. Era como um ímã me puxando para fora, para um lugar que eu já sabia ser a continuação da minha jornada.
Desta vez, a transição foi mais rápida, mais fluida. Eu não estava mais me questionando se era sonho ou realidade. Eu sabia que estava lúcida. O cenário mudou do meu quarto para uma rua desconhecida, sob um céu que não era nem noite nem dia, mas um crepúsculo eterno. Senti a necessidade de ir até a casa de uma amiga, uma atração instintiva, e lá, como em um rito já conhecido, encontrei meu amigo Kalio. Conversamos, as palavras fluindo como se o tempo e o espaço não fossem mais barreiras, mas as interações pareciam superficiais, como ensaios para a peça principal.

O verdadeiro palco se revelou quando cheguei à casa amarelada. Não uma casa de tijolos e argamassa, mas uma que parecia pulsar com uma energia amarela, suave e convidativa. Um homem estava lá. Sua presença era imponente, mas não de forma ameaçadora; era a presença de alguém com profundo conhecimento. Ele não precisou de palavras para me receber. Eu sentia uma fome de aprendizado, uma curiosidade insaciável sobre como as coisas funcionavam naquele mundo, na dimensão dele.
Minha pergunta, formulada sem som, flutuou entre nós: "Como são as coisas do seu mundo?"
Em resposta, ele não falou. Em vez disso, a realidade à nossa frente começou a se moldar. Uma tela sutil, quase translúcida, se materializou no ar entre nós. Eu me inclinei, fascinada, enquanto ele a ativava com um gesto de sua mão. As imagens que surgiram não eram como um filme que conhecemos. Elas eram vivas, complexas, cheias de informações codificadas que eu sentia que precisava decifrar. O que era exibido não era uma história, mas um conceito. A tela mostrava processos, leis de causa e efeito, a interconexão de tudo. Eu gostava, de um jeito que a mente humana não consegue explicar. Eu sentia a verdade das imagens, absorvendo-as diretamente em minha consciência.
Eram várias as projeções, e eu sabia que precisava assisti-las mais de uma vez. A primeira vez, para entender a superfície. A segunda, para ir mais fundo. E a terceira... bom, a terceira seria para que as informações se fundissem com a minha essência, tornando-se parte do meu ser. Lembro-me de um homem que aparecia com frequência nessas projeções. Seu rosto era bondoso, seus olhos transmitiam uma sabedoria milenar, e sua energia era tão pura que a tela parecia brilhar com a sua presença.
Mas havia um mistério. O homem ao meu lado, o que me ensinava, também observava a tela com atenção. Eu sentia que ele queria aprender, mas de alguma forma, o processo não funcionava para ele. Ele não absorvia as informações da mesma maneira. Era como se a tela fosse calibrada para a minha frequência, para o meu tipo de percepção. Ele estava me ensinando, mas parecia também estar aprendendo algo sobre mim, sobre como a minha consciência interagia com o conhecimento dele.
A troca era silenciosa, mas carregada de significado. Eu, uma visitante de outra dimensão, estava sendo ensinada, e ao mesmo tempo, minha própria experiência se tornava o objeto de estudo para o meu guia.


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